Introdução
Para movimentar um robô pelo espaço, é necessário conhecer a relação entre
- o comando aplicado em seus atuadores;
- e as acelerações/velocidades realizadas pelo chassi do robô.
Por exemplo, veja a relação de velocidade das hélices de um drone e a movimentação que ele realiza no ar.
Disponível interativamente na versão web.
No segundo exemplo, veja a relação entre as velocidades das rodas de um robô diferencial e a movimentação que ele realiza no terreno.
Disponível interativamente na versão web.
Nota-se que é crucial modelar a relação de causa e efeito entre as forças/velocidades aplicadas pelos atuadores e o que isto implica na movimentação do robô.
O enfoque da aula será na modelagem de robôs móveis terrestres do tipo diferencial, pois é a arquitetura da plataforma que iremos construir nesta disciplina.
Objetivos da aula
- Introduzir a cinemática de robôs móveis terrestres com arquitetura diferencial.
O robô diferencial
A arquitetura de veículos móveis do tipo "diferencial" é caracterizada essencialmente por duas rodas alinhadas paralelamente acopladas a um chassi central de maneira que o eixo entre as duas rodas passe pelo centro de rotação do chassi.

O termo "diferencial" refere-se ao fenômeno observado neste tipo de plataforma onde as velocidades lineares e angulares do chassi são uma função da diferença entre as velocidades de suas rodas.
Como o eixo entre as rodas passa pelo centro de rotação do chassi, o robô é capaz de rotacionar em torno do próprio eixo sem que as rodas escorreguem sobre o solo.
Velocidades do robô em seu próprio frame
A primeira pergunta então pode ser: como modelar as velocidades do chassi do robô em função das velocidades angulares das rodas?
Definições básicas
Primeiramente, podemos definir os seguintes elementos, parâmetros e variáveis a fim de viabilizar a modelagem (veja para referência):
é o sistema de coordenadas do robô, com origem fixada no centro de rotação do chassi e eixo apontando para a frente do robô e apontando para cima. e são as velocidades angulares dos deixos das rodas esquerda e direita, respectivamente. é o raio de ambas as rodas.
A origem e orientação de
Vetor de estados do robô
Com as definições feitas acima, podemos definir um vetor
onde
Note que a Eq.
Considerando que o robô irá operar somente sobre o plano, o vetor
Modelo cinemático do robô diferencial
Com as definições feitas até aqui, deseja-se encontrar o modelo que relacione as velocidades angulares das rodas com as velocidades lineares a angulares desenvolvidas pelo chassi. Em termos matemáticos, deseja-se encontrar a relação
Como encontrar esta relação?
Resposta: Tal relação pode ser descrita da seguinte forma:
Devido à arquitetura construtiva do robô, note que é impossível que as rodas gerem velocidades lineares ao longo de
Velocidades do robô em relaçao a um frame inercial
Em problemas de robótica, normalmente é necessário calcular a movimentação de um robô em relação a um outro sistema de coordenadas (e.g., um referencial fixo).
Expressão do robô em relação a outro frame
Assim, podemos expressar as coordenadas de

Velocidades do robô no frame inercial
Agora, temos que expressar as velocidades do robô no sistema de coordenadas inercial
Como encontrar esta relação?
Resposta: Uma transformada que converte velocidades expressas em
Unindo as Eq.
Odometria do robô
Odometria refere-se a calcular o deslocamento do robô em função da movimentação de suas rodas.
O objetivo então é calcular a pose do robô em função do tempo
Utilizando-se de um computador, é recorrente calcular tais deslocamentos lineares e angulares de forma discreta, fazendo-se:
onde
Perceba que nesta integração numérica, valores maiores de
Faça um algoritmo que:
- receba um array de vetores coluna concatenados contendo a informação
- calcule um array com as poses do robô a cada instante de tempo
. - plote o deslocamento de posição do robô no plano ao longo da trajetória.

