Seminários – Normas Técnicas em Automação Industrial

Seminários – Normas Técnicas em Automação Industrial

Seminários em grupo | 30 minutos por apresentação

Proposta Geral

Cada grupo deverá apresentar um artigo acadêmico que discute ou aplica uma norma técnica relevante para a área de automação industrial e sistemas supervisórios. O objetivo é que os alunos desenvolvam simultaneamente:
  • Capacidade de leitura crítica de literatura técnico-científica em inglês (e português);
  • Conhecimento prático sobre normas e padrões industriais amplamente adotados no mercado;
  • Habilidade de comunicação científica no formato acadêmico oral. Os grupos são incentivados a ir além do artigo base, complementando a apresentação com outras fontes, imagens, vídeos e exemplos industriais reais — especialmente aqueles presentes na região do Alto Paraopeba (e.g., siderurgia, mineração).

Trabalhos por Grupo

TemaNorma PrincipalArtigo BaseLink
1ISA-101 / IEC 63303Desenvolvimento de IHMs de Alto Desempenho (UFOP, 2021)Link
2IEC 62443 / ISA-99Mapping of Industrial IoT to IEC 62443 Standards (MDPI, 2025)Link
3ISA-95 / IEC 62264Review of Industry 4.0 — Automation and Supervision (MDPI, 2024)Link
4ANSI/ISA-18.2Alarm Rationalization Based on Process Mining (IFAC)Link
5ISA-88 + IEC 61131-3Methodology to Integrate CPS: ISA-88 Use Case (MDPI, 2022)Link
6ISA-18.2Extracting Value from Industrial Alarms and Events: A Data-Driven Approach Based on Exploratory Data AnalysisLink
7IEC 62443Human-Centric Introduction to a Complex Cybersecurity StandardLink
8ISA-95A Software Architecture to Control Service-Oriented Manufacturing SystemsLink

Regras da Apresentação

  • Duração: 13 minutos por grupo + 5 min de perguntas
  • Participação: Todos os membros do grupo devem apresentar ao menos uma parte
  • Material: Slides obrigatórios; vídeos, imagens e demos são incentivados
  • Fontes complementares: Deve-se citar pelo menos duas fontes além do artigo base

Estrutura Acadêmica Esperada

A apresentação deve seguir a estrutura clássica de comunicação científica. Abaixo, o detalhamento de cada seção com orientações específicas para este tipo de trabalho.

Introdução

Objetivo da seção: Situar o ouvinte no contexto do problema e justificar a relevância da norma.
O que poderia ser incluído:
  • Contextualização da área (e.g., sistemas supervisórios, automação industrial, IoT, etc.)
  • Qual problema prático a norma abordada resolve?
  • Por que essa norma é relevante para a indústria brasileira / regional?
  • Breve histórico da norma (quando surgiu, quem a desenvolveu, revisões importantes) Dica de ouro: Comece com um exemplo real ou um acidente industrial que motivou a criação da norma. Isso prende a atenção da audiência desde o início.

Objetivo

Objetivo da seção: Deixar claro o que o grupo se propõe a apresentar.
O que poderia ser incluído:
  • Objetivo geral da apresentação (ex.: "apresentar os conceitos centrais da norma X e discutir sua aplicação no contexto de...")
  • Objetivos específicos (2 a 3 tópicos que serão cobertos) Dica: O objetivo deve ser realista para 30 minutos. Não tente cobrir tudo — escolha os aspectos mais relevantes para a ementa da disciplina.

Fundamentação Teórica

Objetivo da seção: Apresentar os conceitos da norma que embasam o artigo.
O que poderia ser incluído:
  • Estrutura geral da norma (partes, seções principais)
  • Terminologia e definições-chave
  • Modelos, ciclos de vida, arquiteturas definidos pela norma
  • Relação com outras normas (e.g., como a norma se conecta ao IEC 62443, ISA-95, etc.) Dica: Use diagramas da própria norma (ou reconstruídos) para ilustrar os conceitos. Figuras valem mais que parágrafos em uma apresentação oral.

Metodologia do Artigo

Objetivo da seção: Explicar como os autores conduziram o trabalho.
O que poderia ser incluído:
  • Que tipo de trabalho é? (revisão sistemática, estudo de caso, implementação prática, simulação?)
  • Qual planta, sistema ou cenário foi utilizado?
  • Quais ferramentas, softwares ou equipamentos foram usados?
  • Como a norma foi aplicada metodologicamente? Dica: Se o artigo usar um estudo de caso industrial, tente encontrar imagens ou vídeos do tipo de planta descrita. Isso torna a metodologia muito mais concreta para quem está assistindo.

Resultados e Discussão

Objetivo da seção: Apresentar o que o artigo encontrou e o que isso significa na prática.
O que poderia ser incluído:
  • Principais resultados obtidos pelos autores
  • Como esses resultados demonstram a aplicação (ou o valor) da norma?
  • Limitações apontadas pelos autores
  • Discussão crítica do grupo: vocês concordam com as conclusões? Há ressalvas? Dica: Esta é a seção mais importante da apresentação. Reserve tempo suficiente para ela. Dados quantitativos (gráficos, tabelas do artigo) são muito bem-vindos aqui.

Conclusão e Perspectivas

Objetivo da seção: Fechar a apresentação e abrir para reflexão.
O que poderia ser incluído:
  • Síntese dos pontos mais importantes
  • Relevância da norma para o mercado de trabalho dos futuros engenheiros
  • Tendências ou trabalhos futuros mencionados no artigo
  • Uma reflexão do grupo: como essa norma poderia se aplicar à realidade industrial local?

Referências (slide final)

Liste todas as fontes utilizadas (artigo base + fontes complementares), no formato ABNT ou IEEE.

Orientações por Grupo

Grupo 1 — ISA-101 / IEC 63303: IHM de Alto Desempenho

Artigo base: Desenvolvimento de Interfaces Homem-Máquina de Alto Desempenho, TCC UFOP (2021)
Norma central: ANSI/ISA-101.01-2015 → adotada internacionalmente como IEC 63303

Tópicos prioritários do artigo

  • O que é uma IHM de Alto Desempenho e por que o conceito surgiu (fadiga do operador, acidentes industriais)
  • O Ciclo de Vida da IHM conforme ISA-101: Filosofia → Estilo → Toolkit → Design → Implementação → Operação → Manutenção
  • Hierarquia de displays (Nível 1: visão geral da planta → Nível 4: diagnóstico)
  • Paleta de cores restrita e uso de cinza como cor base
  • Diferença visual entre uma IHM "antiga" colorida e uma IHM ISA-101 (o artigo tem imagens comparativas excelentes)
  • A aplicação prática: como a norma foi implementada na planta de aspersão de minério

Temas paralelos para explorar

  • O acidente da refinaria BP Texas City (2005): a falha de IHM como fator contribuinte — excelente motivação para a norma
  • O acidente do voo Air India 605 (1990): interface homem-máquina em aviação, analogia com sistemas industriais
  • O conceito de Situational Awareness (Consciência Situacional) de Mica Endsley e sua relação com o design de IHMs
  • A evolução para IHMs em dispositivos móveis e tablets no chão de fábrica

Grupo 2 — IEC 62443 / ISA-99: Cibersegurança em SCADA e IIoT

Artigo base: Mapping of Industrial IoT to IEC 62443 Standards, Hadjina et al. — MDPI Sensors, 2025
Norma central: ISA/IEC 62443 (antiga ISA-99) — série completa de cibersegurança para IACS

Tópicos prioritários do artigo

  • Diferença entre segurança em TI (Tecnologia da Informação) e OT (Tecnologia Operacional): o triângulo CIA vs. disponibilidade física
  • Visão geral da série IEC 62443: estrutura em 4 grupos (General, Policies, System, Component)
  • O conceito de Zonas e Condutos (Zones & Conduits) — segmentação de rede industrial
  • Security Levels (SL 1–4): o que cada nível exige e como isso se traduz em prática
  • Mapeamento IIoT → IEC 62443: quais requisitos da norma são mais desafiadores no contexto IoT
  • Áreas identificadas pelo artigo para pesquisa futura (system hardening, asset inventory, etc.)

Temas paralelos para explorar

  • O ataque Stuxnet (2010): o primeiro ciberataque documentado a uma planta industrial (centrífugas de urânio no Irã) — caso real emblemático
  • O ataque ao sistema de água de Oldsmar, Flórida (2021): acesso remoto ao SCADA de uma estação de tratamento
  • O modelo Purdue e como ele define as camadas de segmentação de rede (relaciona com ISA-95, já visto em aula)
  • Convergência IT/OT: o que acontece quando o sistema SCADA passa a se comunicar com a nuvem?

Grupo 3 — ISA-95 / IEC 62264: Arquitetura de Sistemas Supervisórios e Indústria 4.0

Artigo base: Review of Industry 4.0 from the Perspective of Automation and Supervision Systems, García-Moreno et al. — MDPI Electronics, 2024
Norma central: ANSI/ISA-95 / IEC 62264 — Integração Enterprise-Control (Modelo Purdue)

Tópicos prioritários do artigo

  • A Pirâmide de Automação ISA-95: os 5 níveis (Field → Control → SCADA → MES → ERP) e o que cada um contém
  • Como SCADA, DCS e CLP se posicionam nessa hierarquia
  • O que é o Modelo Purdue e por que ele ainda é referência mesmo na Indústria 4.0
  • Tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 mencionadas no artigo: OPC-UA, MQTT, Digital Twin, Edge Computing
  • O RAMI 4.0 como alternativa/complemento à pirâmide ISA-95
  • Tendências: a "desverticalização" da pirâmide com arquiteturas orientadas a serviços (SOA)

Temas paralelos para explorar

  • O protocolo OPC-UA: o "latim" da comunicação industrial — como ele implementa a integração entre os níveis do ISA-95
  • Digital Twin (Gêmeo Digital): como a Indústria 4.0 está mudando a forma de projetar e operar plantas industriais
  • Exemplos reais: a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Gerdau e empresas do polo do Alto Paraopeba — como a automação se organiza em uma usina siderúrgica
  • A transição do SCADA local para SCADA em nuvem (Cloud SCADA) — oportunidades e riscos

Grupo 4 — ANSI/ISA-18.2: Gerenciamento de Alarmes

Artigo base: Alarm Rationalization Based on Process Mining Techniques, Oliveira et al. — IFAC Proceedings
Norma central: ANSI/ISA-18.2 — Management of Alarm Systems for the Process Industries (Adotada como IEC 62682)

Tópicos prioritários do artigo

  • Por que gerenciamento de alarmes é um problema crítico? (estatísticas de incidentes causados por sobrecarga de alarmes)
  • O Ciclo de Vida de Alarmes da ISA-18.2: Identificação → Racionalização → Projeto → Implementação → Operação → Manutenção
  • Métricas de desempenho definidas pela norma: taxa de alarmes por hora, alarmes prioritários, alarm floods
  • A abordagem de Process Mining como ferramenta de racionalização de alarmes
  • Como o artigo aplica as métricas da ISA-18.2 a dados reais de uma planta industrial
  • Resultados obtidos: redução de alarmes, melhoria da interpretabilidade

Temas paralelos para explorar

  • O acidente da Refinaria BP Texas City (2005) novamente, mas desta vez pelo ângulo dos alarmes: operadores receberam centenas de alarmes simultâneos nos momentos críticos
  • O conceito de Alarm Flood: quando tantos alarmes disparam ao mesmo tempo que o operador fica paralisado
  • Alarmes inteligentes com Machine Learning: como a inteligência artificial está sendo usada para filtrar e priorizar alarmes em tempo real
  • A diferença entre alarme, evento e notificação — conceitos que a ISA-18.2 define com precisão

Grupo 5 — ISA-88 + IEC 61131-3: CLP, SDCD e Controle em Batelada

Artigo base: Methodology and Tools to Integrate Industry 4.0 CPS into Process Design and Management: ISA-88 Use Case, Doménech et al. — MDPI Information, 2022
Normas centrais: ISA-88 / IEC 61512 — Batch Control (controle em batelada) e IEC 61131-3 — Linguagens de Programação de CLPs.

Tópicos prioritários do artigo

  • O que é controle em batelada (batch) e onde ele aparece na indústria (farmacêutica, alimentos, química)
  • A hierarquia de modelos ISA-88: Processo → Procedimento → Operação → Fase → etapas e transições
  • As 5 linguagens da IEC 61131-3: LD, FBD, ST, IL, SFC — e em qual nível hierárquico cada uma é tipicamente usada
  • A metodologia do artigo: como passar do modelo de processo ISA-88 para código CLP automaticamente
  • O papel do SCADA como interface supervisória para um processo ISA-88
  • Benefícios: redução de erros entre projeto e implementação, reusabilidade de código

Temas paralelos para explorar

  • Demonstração prática das 5 linguagens IEC 61131-3 com exemplos simples (se o grupo tiver acesso a CODESYS, TIA Portal ou OpenPLC, uma demo ao vivo é ouro)
  • O OpenPLC Runtime: ambiente open-source IEC 61131-3 que os alunos podem instalar gratuitamente — ótimo para demonstrar os conceitos na prática
  • PLCopen: extensão da IEC 61131-3 para motion control (CNC, robótica) — conecta com o conteúdo de CNC da ementa
  • Como a ISA-88 se relaciona com a ISA-95: batelada no nível de controle vs. planejamento no nível MES/ERP

Grupo 6 — ANSI/ISA-18.2: Análise de Dados de Alarmes e Eventos

Artigo base: Extracting Value from Industrial Alarms and Events: A Data-Driven Approach Based on Exploratory Data Analysis, Bezerra, Silva, Guedes, Silva, Leitão e Saito — Sensors (MDPI), 2019 (Link · DOI 10.3390/s19122772 · CC BY)
Norma central: ANSI/ISA-18.2 — Management of Alarm Systems for the Process Industries (adotada como IEC 62682)

Tópicos prioritários do artigo

  • Por que os registros (logs) de alarmes e eventos são uma fonte de conhecimento subestimada na indústria
  • O contexto de Indústria 4.0 / IIoT e de Big Data Industrial que motiva o trabalho
  • O que é Análise Exploratória de Dados (EDA) e por que ela é adequada para começar a analisar alarmes sem hipóteses prévias
  • Como a ISA-18.2 é usada como referência: definições, ciclo de vida e a mudança de filosofia, que passa a tratar alarmes como processo de trabalho e não só como hardware/software
  • As técnicas de EDA aplicadas a um conjunto de dados industrial real e os insights que elas revelam
  • A discussão dos resultados e os trabalhos futuros indicados pelos autores
  • Atenção para o grupo: ao ler o artigo, mapear quais etapas do ciclo de vida da ISA-18.2 (monitoramento e avaliação, racionalização, manutenção) são apoiadas pela abordagem de dados. A norma em si precisa ser apresentada na fundamentação teórica

Temas paralelos para explorar

  • A refinaria BP Texas City (2005) e, mais recentemente, a BP-Husky em Oregon, Ohio (2022): o Chemical Safety Board (CSB) dos EUA recomendou à ISA que a ISA-18.2 inclua metas de desempenho para alarm floods individuais (número, duração, contagem e taxa de pico)
  • O conceito de alarm flood: nas referências usuais (ISA-18.2 e EEMUA 191), mais de 10 alarmes em 10 minutos por operador
  • A EEMUA 191 como guia complementar à ISA-18.2
  • Contexto brasileiro: os autores são ligados à UFRN. Vale discutir como pesquisa nacional dialoga com normas internacionais
  • Do Node-RED e dos dashboards da disciplina: como alarmes e eventos seriam registrados em um banco de dados (conecta com a aula de banco de dados) e quais indicadores um painel de alarmes deveria exibir
  • Ligação com o Grupo 1: alarmes e IHM de alto desempenho (ISA-101) são complementares; o operador só reage bem se a tela e os alarmes forem projetados juntos

Grupo 7 — IEC 62443 / ISA-99: Introdução Prática à Cibersegurança Industrial

Artigo base: Human-Centric Introduction to a Complex Cybersecurity Standard, Eißler et al. — AHFE Open Access, 2023 (PDF · DOI 10.54941/ahfe1004249)
Norma central: ISA/IEC 62443 — em especial as partes 1-1 (modelos e conceitos), 3-2 (avaliação de risco e projeto) e 3-3 (requisitos de sistema e níveis de segurança)

Tópicos prioritários do artigo

  • Por que o fator humano é central na implementação da IEC 62443 (quem planeja, instala e mantém os controles são pessoas)
  • Diferenças entre IACS e TI convencional: interação com o ambiente físico, foco em disponibilidade e vida útil de 20+ anos dos equipamentos
  • Conceitos básicos: defesa em profundidade e privilégio mínimo (política default deny)
  • Os Níveis de Segurança (SL 0–4) e os sete requisitos fundamentais (identificação e autenticação, controle de uso, integridade do sistema, confidencialidade dos dados, fluxo restrito de dados, resposta oportuna a eventos, disponibilidade de recursos)
  • Zonas e Conduítes: zonas físicas × lógicas, zonas confiáveis × não confiáveis, e por que a segmentação dificulta o movimento lateral de um atacante
  • O processo da IEC 62443-3-2 em quatro passos: definir o sistema sob consideração (SuC) → análise de risco com matriz → divisão em zonas e conduítes → documentação das propriedades
  • O ambiente prático do artigo: rede simulada com máquinas virtuais (roteador, servidor web, PC de escritório, controle de produção via Modbus, controle predial via BACnet) que parte de um estado inseguro
  • Os controles aplicados e sua relação com os requisitos SR da IEC 62443-3-3 (contas com permissões mínimas, senhas fortes, restrição de conexões, autenticação e criptografia, limite de tentativas de login, aviso de uso)

Temas paralelos para explorar

  • O ataque Stuxnet (2010): por que redes "isoladas" não bastam e como a defesa em profundidade teria ajudado
  • O ataque ao sistema de água de Oldsmar, Flórida (2021): acesso remoto e credenciais fracas — compare com os controles 1, 2 e 4 do artigo
  • Protocolos Modbus e BACnet: por que nasceram sem autenticação nem criptografia (conecta com o conteúdo de comunicação industrial da disciplina)
  • O Modelo Purdue / ISA-95 como base para desenhar zonas (liga este grupo ao Grupo 3)
  • Demonstração opcional: reproduzir uma versão reduzida do cenário do artigo com duas ou três máquinas virtuais e um firewall, mostrando um ataque antes e depois da segmentação
  • Comparação com o artigo do grupo original (Hadjina et al., IIoT × IEC 62443): este artigo é a "porta de entrada" prática; o outro, o mapeamento técnico para IIoT

Grupo 8 — ISA-95 / IEC 62264 e OPC UA: Estendendo a Pirâmide de Automação

Artigo base: A Software Architecture to Control Service-Oriented Manufacturing Systems, Gaiardelli, Spellini, Panato, Lora e Fummi — DATE 2022 (IEEE), Universidade de Verona (PDF · DOI 10.23919/DATE54114.2022.9774522)
Norma central: ANSI/ISA-95 / IEC 62264 — integração entre empresa e controle, com apoio do protocolo OPC UA (IEC 62541)

Tópicos prioritários do artigo

  • A Pirâmide de Automação de cinco níveis como o artigo a descreve: Campo → Controle (CLPs) → Supervisório (SCADA/IHM) → Planejamento (MES) → Gerenciamento (ERP)
  • O papel da ISA-95: terminologia padrão, responsabilidades de cada nível e troca de dados entre empresa e controle de processo
  • O OPC UA como protocolo de fato para comunicação máquina a máquina: arquitetura cliente/servidor, modelo de informação e exposição de tarefas como "serviços"
  • O conceito de Manufatura Orientada a Serviços (SOM) e por que um MES monolítico limita a reconfiguração da linha
  • O componente central do artigo: o Automation Manager, que automatiza o nível supervisório e se comunica com o MES (acima) e com as máquinas (abaixo)
  • A infraestrutura de coleta de dados: servidores OPC UA em cada máquina, clientes OPC UA, mensageria com Apache Kafka e RabbitMQ, execução em Kubernetes
  • O estudo de caso: uma linha de produção real de laboratório (ICE Lab, Verona) originalmente controlada por MES comercial
  • Resultados: a comparação qualitativa de funcionalidades (reconfiguração automática, execução autônoma de ordens, escalonamento adaptativo) e a análise de sobrecarga — atraso de 40% a 70% por operação isolada, mas menos de 1% no tempo total de receitas completas

Temas paralelos para explorar

  • O Modelo Purdue e o RAMI 4.0: onde cada um se encaixa e por que a pirâmide é questionada na Indústria 4.0
  • SCADA × MES × ERP: o que cada sistema faz em uma usina siderúrgica ou mineradora do Alto Paraopeba (exemplos de dados que sobem e de ordens que descem)
  • Publish/subscribe na automação: MQTT, Kafka e OPC UA PubSub — quando usar cada um (conecta com o conteúdo de Node-RED da disciplina)
  • Escalonamento dinâmico de produção (job-shop scheduling): por que replanejar quando uma máquina quebra é um problema difícil
  • Discussão crítica sugerida: o artigo mostra que o overhead é desprezível em processos longos. Isso vale para um processo de controle rápido (ex.: laço de controle de temperatura)? Por que o nível supervisório tolera esse atraso e o nível de controle não?
  • Observação para o grupo: o artigo é curto (6 páginas) e usa a ISA-95 mais como base terminológica do que como tema. A apresentação da norma em si deve vir das fontes complementares

Dicas Gerais de Apresentação Acadêmica

Preparação

  • Leia o artigo completo antes de dividir as partes entre o grupo. A divisão deve ser feita com todos tendo visão do todo.
  • Não traduza o artigo literalmente — entenda e reapresente com suas próprias palavras.
  • Pratique a apresentação inteira ao menos uma vez com cronômetro.
  • Slides: evite blocos de texto. Use imagens, diagramas, setas, listas curtas. A regra é: o slide apoia o que você fala, não substitui.

Durante a apresentação

  • Cada membro deve ter uma transição natural para o próximo — não simplesmente "agora o fulano vai falar sobre...". Conectem os tópicos.
  • Gráficos e tabelas do artigo devem ser explicados, não apenas exibidos. Diga o que o eixo Y representa, o que o resultado significa na prática.
  • Quando citar um vídeo: apresentem apenas trechos relevantes (máx. 1-2 min). Introduzam antes e comentem depois.

Critérios de Avaliação

CritérioPeso
Domínio do conteúdo do artigo25%
Qualidade da apresentação da norma25%
Fontes complementares e enriquecimento20%
Qualidade dos slides e materiais visuais20%
Respostas às perguntas10%

Sorteio dos grupos:

TemaGrupo Sorteado
1Mecatrônicos
2Galinho
3NFA
4Ruim de Joelho
5Meca Engenharia
6Não Sei De Nada
7Mecabótica
8Grupo Henrique

Cronograma de apresentações

A ordem das apresentações seguirá a ordem dos temas, de 1 a 8, iniciando-se na aula do dia 09/11/26.
Bom Trabalho!

Autor: FILIPE A. S. ROCHA

Publicado em 27 de abril de 2026· Atualizado em 20 de outubro de 2026